quinta-feira, março 06, 2008

" Uma menina ao longe pulava corda, a corda erguia-se
acima da cabeça como uma alça e chicoteava o solo sob
os pés. Uma tarde de verão; a luz estava pousada na
rua e nos tetos, igual, fixa, como uma verdade eterna.
' Será verdade que sou um salafrário? A poltrona é verde,
a corda parece uma alça, isso é indiscutível. Mas em
relação às pessoas, pode-se sempre discutir, tudo o que
fazem pode ser explicado, por cima ou por baixo, como
se queira. Recusei porque quero permanecer livre. É o
que posso dizer. Mas posso dizer também: tive medo,
prefiro minha cortina verde, prefiro tomar ar, à tarde,
no meu balcão, e não desejaria que isso mudasse.
Agrada-me indignar-me contra o capitalismo, mas não
desejo que o suprimam, porque não teria mais motivos
de indignação. Agrada-me sentir-me desdenhoso e
solitário, agrada-me dizer 'não', sempre 'não', e teria medo
que se construísse um mundo viável porque teria que dizer
'sim' e fazer como os outros. Por cima ou por baixo:
quem julgaria? "

A idade da razão - Sartre

2 Comentários:

Às 11:53 AM , Anonymous Anônimo disse...

é por isso que eu permaneço trapaceiro, segundo ele mesmo, Sartre..
muito bom

 
Às 1:52 PM , Anonymous Anônimo disse...

humm

:))

 

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