" Uma menina ao longe pulava corda, a corda erguia-se
acima da cabeça como uma alça e chicoteava o solo sob
os pés. Uma tarde de verão; a luz estava pousada na
rua e nos tetos, igual, fixa, como uma verdade eterna.
' Será verdade que sou um salafrário? A poltrona é verde,
a corda parece uma alça, isso é indiscutível. Mas em
relação às pessoas, pode-se sempre discutir, tudo o que
fazem pode ser explicado, por cima ou por baixo, como
se queira. Recusei porque quero permanecer livre. É o
que posso dizer. Mas posso dizer também: tive medo,
prefiro minha cortina verde, prefiro tomar ar, à tarde,
no meu balcão, e não desejaria que isso mudasse.
Agrada-me indignar-me contra o capitalismo, mas não
desejo que o suprimam, porque não teria mais motivos
de indignação. Agrada-me sentir-me desdenhoso e
solitário, agrada-me dizer 'não', sempre 'não', e teria medo
que se construísse um mundo viável porque teria que dizer
'sim' e fazer como os outros. Por cima ou por baixo:
quem julgaria? "
A idade da razão - Sartre
Último Desfecho
quinta-feira, março 06, 2008
sábado, fevereiro 02, 2008
vem da janela
Apressava-me olhando em voltaporque queria tudo imperfeito.
Sim, a natureza era perfeita na sua
imperfeição - pensava.
Lá fora havia a felicidade de uma sombra forte
e aqui dentro isso não tinha valor.
Assim como não conhecia a dor do sol que queima,
nem a maciez de um tapete de folhas,
nada fazia sentido.
Na busca de algo inestimável,
precisava da desordem,
das pequenas coisas violentadas,
da janela aberta. Vem da janela.
quinta-feira, novembro 01, 2007
Quando caminha apressadamente e metade do corpo fica para trás,
entende que não é só corpo.
Deixa-se levar porque a tudo sente.
Sente o arrepio eletrizando o corpo em cada célula dele.
Compulsão de viver.
Sabe que não está acima da dor e sentí-la é inevitável.
Sei o que sente. Deixa o corpo cansar sem hesitação.
Deixa a vela apagar, a janela fechar, o vidro trincar.
Nada mais importa. Porque você morre.
entende que não é só corpo.
Deixa-se levar porque a tudo sente.
Sente o arrepio eletrizando o corpo em cada célula dele.
Compulsão de viver.
Sabe que não está acima da dor e sentí-la é inevitável.
Sei o que sente. Deixa o corpo cansar sem hesitação.
Deixa a vela apagar, a janela fechar, o vidro trincar.
Nada mais importa. Porque você morre.
domingo, outubro 28, 2007
quarta-feira, outubro 24, 2007
A chuva começara a cair lentamente, mas eu sabia que precisava continuar. No meu íntimo, ia relembrando cada momento e me vangloriava de pelo menos ter tido algum passado.
Caminhava e sentia as roupas mais pesadas e os chinelos escorregadios, que, por vezes, quase me faziam cair. Foi um reflexo desses que me fez segurar fortemente a garrafa de vodka e fingir que estava abraçando-a.
Fechando os olhos eu poderia vê-la. No entanto, a chuva já forte me impedia de andar corretamente e eu parecia um bêbado aos olhos dos que passavam.
Repetia várias vezes o que eu precisava dizer e fazer quando chegasse a hora. Não era hora ainda. Eu não sabia sequer interpretar o que acontecia entre dois contextos. Meu tempo era outro e tudo soava contraditoriamente. Se ela relutasse... Eu perderia mais do que pensava existir.
Caminhava e sentia as roupas mais pesadas e os chinelos escorregadios, que, por vezes, quase me faziam cair. Foi um reflexo desses que me fez segurar fortemente a garrafa de vodka e fingir que estava abraçando-a.
Fechando os olhos eu poderia vê-la. No entanto, a chuva já forte me impedia de andar corretamente e eu parecia um bêbado aos olhos dos que passavam.
Repetia várias vezes o que eu precisava dizer e fazer quando chegasse a hora. Não era hora ainda. Eu não sabia sequer interpretar o que acontecia entre dois contextos. Meu tempo era outro e tudo soava contraditoriamente. Se ela relutasse... Eu perderia mais do que pensava existir.
Então a vi. Estava linda, sob uma tenda de palha, mas não exatamente da forma como eu a havia deixado. Era linda, embora não fosse mais a mesma. Só então percebi que não estava sozinha.
Quem estava sozinho era eu. Ela mudara e diferença não fazia parte de mim. E o meu medo, era o de continuar sendo quem eu era.
Quem estava sozinho era eu. Ela mudara e diferença não fazia parte de mim. E o meu medo, era o de continuar sendo quem eu era.
terça-feira, outubro 23, 2007
Caminho com o propósito de sair daqui,
pois sequer sei onde chegar.
De que importa de onde venho?
Basta saber o que não era, daí a busca.
pois sequer sei onde chegar.
De que importa de onde venho?
Basta saber o que não era, daí a busca.
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